Sindsep-MT amplia base sindical e consolida representação na nova agência federal com mais de 100 filiações e espera aumentar nos próximos meses

A criação da Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS) inaugura uma nova etapa na organização da força de trabalho vinculada à Atenção Primária à Saúde no país. Estruturada como serviço social autônomo de interesse público, a AgSUS passa a concentrar atividades estratégicas antes executadas por diferentes arranjos administrativos, especialmente no apoio à gestão, à formação profissional e à qualificação da atenção básica no Sistema Único de Saúde.
Com atuação nacional, a nova agência assume papel central no suporte técnico e operacional a políticas públicas de saúde, sobretudo aquelas voltadas à fixação de profissionais em regiões de maior vulnerabilidade social. A proposta institucional apresentada destaca a busca por maior eficiência administrativa, racionalização de processos e padronização de ações voltadas à Atenção Primária, considerada porta de entrada preferencial do SUS.
Regime de trabalho e vínculos empregatícios
Um dos pontos centrais que emergem com a criação da AgSUS diz respeito ao regime de contratação dos trabalhadores. Por se tratar de um serviço social autônomo, os vínculos não seguem o Regime Jurídico Único dos servidores públicos, mas sim a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Essa característica reforça a necessidade de organização coletiva para a defesa de direitos trabalhistas, negociação de condições de trabalho e acompanhamento permanente das relações laborais.
O Ministério da Saúde enfatiza que a atuação da agência depende diretamente da valorização de seus trabalhadores, reconhecendo que a qualidade dos serviços prestados está relacionada à estabilidade, à formação continuada e a condições adequadas de trabalho. No entanto, a ausência de garantias típicas do serviço público tradicional amplia a importância da representação sindical nesse novo cenário institucional.
Sindsep-MT amplia base e consolida representação
Nesse contexto de mudanças estruturais, o Sindicato dos Servidores Públicos Federais de Mato Grosso (Sindsep-MT) tem desempenhado papel decisivo na organização dos trabalhadores da AgSUS. Desde o início das atividades da agência no Estado de Mato Grosso, o sindicato já contabiliza mais de 100 novas filiações de empregados da recém-criada estrutura federal, demonstrando confiança na atuação sindical e reconhecimento da importância da luta coletiva.
A ampliação expressiva da base sindical revela, por um lado, a preocupação dos trabalhadores com seus direitos e, por outro, a capacidade do Sindsep-MT de dialogar com uma nova categoria profissional, inserida em um modelo institucional distinto daquele do funcionalismo público clássico.
A atuação do sindicato tem se concentrado na orientação jurídica, no esclarecimento sobre contratos de trabalho, direitos previdenciários, negociação coletiva e defesa de condições dignas de trabalho.
Organização coletiva em um novo modelo institucional
A experiência da AgSUS evidencia uma tendência de expansão de modelos híbridos de gestão no âmbito federal, nos quais estruturas públicas passam a operar com regras do setor privado. Para os trabalhadores, esse modelo impõe desafios adicionais, como maior rotatividade, necessidade constante de negociação e vigilância sobre o cumprimento de direitos trabalhistas.
Diante disso, a sindicalização surge como instrumento fundamental de proteção e fortalecimento coletivo. O crescimento das filiações ao Sindsep-MT entre trabalhadores da AgSUS indica que, mesmo em novos formatos institucionais, a organização sindical segue sendo elemento central na defesa do trabalho digno e na construção de relações laborais mais equilibradas.
Perspectivas
A consolidação da AgSUS como braço estratégico da Atenção Primária à Saúde exigirá acompanhamento permanente de sua política de pessoal, de seus contratos de trabalho e das condições oferecidas aos profissionais que sustentam suas atividades. Nesse processo, o fortalecimento do Sindsep-MT, expresso no número significativo de novas filiações, aponta para um cenário de maior capacidade de mobilização e representação.
Mais do que um dado quantitativo, as mais de 100 novas filiações representam um sinal político claro: os trabalhadores da nova agência federal reconhecem no sindicato um espaço legítimo de defesa, diálogo e construção coletiva de direitos em um contexto de profundas transformações no mundo do trabalho público.